• Pai de Kelvin Hoefler celebra medalha do filho nas Olimpíadas de Tóquio e se desculpa com vizinhos por barulho de skate na calçada



    Atleta conquistou a medalha de prata no street masculino nas Olimpíadas de Tóquio. Essa é a primeira medalha do Brasil nos jogos. Pai de Kelvin Hoefler pede desculpas aos vizinhos nas redes pelos tempos de criança do skatista Reprodução/Redes sociais A conquista do skatista brasileiro Kelvin Hoefler, que levou a primeira medalha do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio 2020, foi motivo de orgulho para a família. Em uma postagem nas redes sociais neste domingo (25), o pai do atleta afirmou que não dava para acreditar que o filho é medalhista olímpico e chegou a pedir desculpas pelo barulho de skate nos tempos em que o atleta treinava na calçada da casa onde morava em Guarujá, no litoral de São Paulo. A celebração pela conquista de Kelvin tem um gosto diferente para os familiares, já que ele é o primeiro brasileiro a participar da final olímpica do skate, incluído no programa olímpico pela primeira vez na edição de 2021. O atleta conquistou prata no street masculino ao somar 36,15 na grande final, ficando atrás apenas do japonês Yuto Horigomi, que somou 37,18. O americano Jagger Eaton completou o pódio com uma nota geral de 35,35. Kelvin comemora prata no skate: 'Não é só minha'; judoca Cargnin agradece à mãe A final digna de Olimpíadas e performance estelar do filho, fez com que o pai, Enéas Rodrigues, relembrasse onde o atleta começou a trilhar seu caminho pelo esporte: a calça da casa em que vivem os pais, em Vicente de Carvalho, e ainda pedir desculpas pelo barulho de skate quando Kelvin era criança. “Ele começou andando na calçada de casa, onde eu peço desculpas aos vizinhos pelos barulhos. Sei que demoramos para pedir desculpas, mas esta conquista também é de todos vizinhos e amigos de Vicente de Carvalho e região, uma conquista do skate brasileiro”, finaliza. Em entrevista ao G1, o pai de Kelvin, Enéas Rodrigues contou que o filho iniciou no skate quando ainda era criança. O menino tinha tempo e lugar certo para treinar, justamente para não incomodar a vizinhança (veja acima). "A gente tinha controle de horário, não deixava ele ficar até tarde da noite e não era todo dia. Começava a anoitecer, já parava. Ele treinava no quintal de casa quando chovia, e em dia de tempo bom, andava na calçada", explica. O pai afirma que devido aos barulhos do skate nos tempos de menino de Kelvin, decidiu pedir desculpas aos vizinhos, mesmo que eles nunca tenham reclamado. "A gente percebia que eles ficavam um pouco nervosos com o barulho do skate, mas como o Kelvin era pequenininho, não era tão perturbador", diz ele. Apesar disso, ainda segundo Enéas, a vitória do filho também foi motivo de orgulho para os vizinhos, que viram o rapaz crescer e comemoraram a medalha de prata durante a madrugada. "Os vizinhos estavam acompanhando. Tinha muita gente na rua", diz ele. Família celebrou junta a conquista de Kelvin nas Olimpíadas Vanessa Faro/G1 O pai ainda explica que a família não estava muito esperançosa com a vitória de Kelvin, pois ele havia se machucado recentemente, mas que confiou no talento do filho. "A sensação foi muito legal. A gente não esperava que o Kelvin chegasse na final porque estava muito difícil, mas com muita garra, ele chegou até o final. A gente conhece ele pela garra que ele tem. O orgulho não é só nosso", finaliza. Kelvin Hoefler mostra a medalha de prata que conquistou no skate street masculino nos Jogos Olímpicos de Tóquio neste domingo (25) Toby Melville/Reuters Tempos de Guarujá Kelvin nasceu no dia 10 de fevereiro de 1994, na cidade de Itanhaém, também no litoral de São Paulo, mas foi em Guarujá que viveu grande parte da sua infância e adolescência. Segundo o pai, o atleta ganhou o primeiro skate quando tinha 8 anos, e no ano seguinte, já estava participando de campeonatos do esporte. O menino tinha uma pista improvisada no quintal de casa, e aos 13 anos, começou a ganhar alguns prêmios com o skate. "Meu pai me levava para as pistas de skate nos finais de semana. Ele era policial, foi difícil conciliar tudo isso. Na cozinha, minha mãe me xingava, quebrando panela, prato", afirma Kelvin em entrevista para a TV Globo. Em 2011, ele foi para a Europa competir como skatista profissional, onde ganhou três campeonatos locais. Em 2014, ele venceu o Kimberley Diamond Cup, realizado na África do Sul. No mesmo ano, ele se mudou para Los Angeles, na Califórnia, onde vive atualmente com a esposa e fotógrafa, Ana Paula. De lá para cá, Kelvin foi campeão mundial de skate seis vezes. Para as competições, ele usa os fones de ouvido para não ser importunado por ninguém, mas não escuta nenhuma música. Além de despistar quem estiver por perto, o atleta se concentra nas rotinas dos adversários. "Foi difícil chegar aqui e representar uma nação. Isso aqui (a medalha) é um alívio. Eu acreditei, o skate me abraçou e disse: 'Kelvin, estamos juntos'". VÍDEOS: G1 em 1 Minuto Santos
  • PAT de São Vicente oferece 20 novas vagas de emprego



    Unidades de São Vicente funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, na região Insular e na Área Continental. Vagas ofertadas no PAT de São Vicente são para 16 funções diferentes Divulgação O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de São Vicente, no litoral de São Paulo, oferece 20 novas oportunidades de emprego para 16 funções diferentes. Além dos cargos efetivos, as unidades ainda têm vaga de estágio para estudantes do Ensino Superior. Entre as ocupações disponíveis estão, carpinteiro de obra, açougueiro, pedreiro encarregado de supermercado, representante comercial autônomo, pedreiro de fachada, pintor de edifícios e gesseiro, entre outras. Os interessados em se candidatar devem entrar em contato pelos telefones (13) 3468-1636 e (13) 3576-0836, ou ainda, comparecer a uma das unidades do PAT, localizadas na Avenida Presidente Wilson, 1.126, Itararé, ou na Avenida Ulisses Guimarães, 211, Jardim Rio Branco. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com agendamento prévio e capacidade de ocupação de 25%. É necessário que o candidato leve RG, CPF, carteira de trabalho e comprovante de residência. Confira as vagas disponíveis: Carpinteiro de Obras (1 vaga) - Ensino Médio completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente ou Cubatão. Pedreiro (2 vagas) - Ensino Médio completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente ou Cubatão; Encarregado de supermercado (1 vaga) - Ensino Médio completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente, Santos, Cubatão, Praia Grande ou Guarujá; Vendedor de serviços (2 vagas) - Ensino Superior completo (desejável); experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente, Santos, Praia Grande ou Mongaguá; Representante Comercial Autônomo (3 vagas) - Ensino Médio completo; sem experiência em carteira de trabalho; sexo feminino; CNH A/B; residir em São Vicente, Santos, Cubatão ou Praia Grande; Sinaleiro (orientação de guindastes e equipamentos similares) (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Pedreiro de fachada (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Pintor de edifícios (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Engenheiro Civil (estágio) (1 vaga) - Cursando Ensino Superior na área de engenharia civil; sem experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Encarregado de Obras (1 vaga) - Ensino Médio completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Gesseiro (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Encanador (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Carpinteiro (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Azulejista (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Armador de Estrutura de Concreto (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente; Açougueiro (1 vaga) - Ensino Fundamental completo; experiência na carteira de trabalho; residir em São Vicente, Santos, Praia Grande, Cubatão ou Guarujá. VÍDEOS: G1 em 1 Minuto Santos
  • Ex-doméstica reencontra mãe após mais de 40 anos, completa estudos e transforma história de vida em livro



    'Memórias de uma Nordestina' é o livro que Geovana Borges escreveu contando sua história, desde quando morava na Bahia, a mudança para Santos, no litoral paulista, e o reencontro com a família. Geovana escreveu livro sobre sua trajetória e relata reencontro com a mãe Arquivo Pessoal A ex-empregada doméstica Geovana Ferreira Borges, de 55 anos, usa a palavra 'resiliência' para descrever sua história. A moradora de Santos, no litoral paulista, foi deixada pela mãe aos 3 anos, perdeu o pai aos 17, engravidou e criou o primeiro filho sozinha. Mesmo com as dificuldades, decidiu mudar sua história: completou os estudos e escreveu um livro contando sua trajetória. "Eu acho que Deus tinha essa história escrita para mim por algum motivo, que nada é por acaso. Se eu não tivesse essa história, talvez não estaria publicando meu livro", disse Geovana ao G1 neste domingo (25). Natural de Salvador (BA), Geovana escreveu o livro "Memórias de uma Nordestina", uma autobiografia que conta histórias de quando ela morava em Conceição de Campinas, na Bahia, até os dias de hoje. A decisão pela publicação surgiu após ela juntar poesias que escreveu ao longo da vida, em cadernos que carregava consigo. Geovana conta que a história dela foi cheia de dificuldades desde a infância. Aos 3 anos, foi deixada pela mãe, que decidiu viajar para São Paulo. Na companhia do pai, ela lembra que passou dificuldades com ele e a esposa. "Minha madrasta tinha problema de alcoolismo, falava coisas para o meu pai que faziam com que eu apanhasse. Não tinham preocupação nem se eu tomava banho ou não". Geovana reencontrou a mãe, Joana (ao centro), e descobriu que tinha uma irmã, Irani (à esquerda) Arquivo Pessoal Aos 17, ela perdeu o pai, momento em que decidiu viajar até Santos em busca de uma vida melhor, e para tentar encontrar a mãe. Entretanto, não conseguiu se reencontrar com ela de início, e passou a trabalhar como empregada doméstica. Aos 21, ela engravidou do filho de um antigo chefe, e precisou cuidar sozinha do menino, após não receber ajuda. Mesmo em meio às dificuldades, escrevia em cadernos e tinha o sonho de voltar a estudar, já que não tinha completado nem mesmo o Ensino Fundamental. Com o tempo, ela descobriu que a mãe, Joana Ferreira Reis, teve uma outra filha que foi adotada. Desde então, ela busca pistas sobre as duas. Apenas em 2016 ela conseguiu o nome da rua onde a mãe residia. "Durante muitos anos tive mágoa, ressentimento, mas comecei a me cobrar por não fazer nada por ela", conta. Após muito tempo de busca, a encontrou debilitada, morando em um cômodo sem muitas condições. "Estava muito judiada, com catarata, artrose, muito envelhecida. Comecei a ajudar, e há quatro anos ela mora comigo", conta Geovana. Com o convívio, e após superar mágoas de infância, ela descobriu o nome da irmã, Irani Aloi, e decidiu tentar localizá-la. Em questão de meses, a encontrou, por meio das redes sociais, e a conheceu, 20 anos depois de descobrir sua existência. "No começo, ela não aceitou muito, foi tudo muito difícil. Hoje convivemos, e é minha irmã", diz. Mesmo com as adversidades, ela resolveu homenagear as duas no livro que lançou. Para a ex-doméstica, escrever sobre a família é essencial, já que os parentes são parte de quem ela é. Livro foi publicado de maneira independente Arquivo Pessoal Estudos Para conseguir escrever o livro de memórias, entretanto, foi um longo processo. Geovana se mudou para o litoral de São Paulo penando para ter uma vida melhor, e começou a trabalhar como empregada doméstica. As dificuldades foram muitas, e ela chegou a deixar de comprar o que comer para dar leite ao filho pequeno, que perdeu a visão de um dos olhos 15 dias após o nascimento. Contudo, mesmo com as adversidades, o objetivo era realizar o sonho de escrever um livro. Com o tempo, ela se casou novamente e teve outros dois filhos. Depois de alguns anos, deixou de ser empregada doméstica e se dedicou a trabalhar fazendo doces, o que leva seu sustento até hoje. Apenas aos 49 anos decidiu que voltaria a estudar. Ela entrou em uma escola para jovens e adultos na Zona Noroeste da cidade, onde mora. Lá, ela descobriu ainda mais sobre o amor pela escrita. "Um professor, Márcio Ribeiro, que na época dava aula de Ciências, foi a pessoa que me incentivou a escrever minhas poesias e minha biografia. Ele chegou a fazer meu primeiro livrinho totalmente de graça", relembra. Ex-doméstica completou os estudos depois dos 50 anos Arquivo Pessoal A vida agitada, equilibrando maternidade, trabalho e os cuidados com a casa fizeram com que ela demorasse mais para concluir os estudos. Entretanto, conseguiu se formar no Ensino Médio em 2017. Desde então, ela se dedica a escrever. Durante a pandemia, chegou a completar três livros, e o "Memórias de uma Nordestina" foi o último. Nele, ela conta toda a trajetória de vida, com os reencontros que teve na família. Com poucos recursos, ela diz que já se sente feliz pela publicação, mas que batalhou muito para chegar onde está. "O que eu quero deixar de mensagem para os meus leitores é que não desistam dos sonhos. Eu levei muito 'não' na minha vida, em tudo, muito deboche, pessoas que não me respondiam. A mensagem que eu quero deixar é nunca desistam dos seus sonhos, por mais difícil que seja. Eu sou uma pessoa que tem muita resiliência, sei fazer de um limão uma limonada", descreve. A publicação do livro foi só o começo. Agora, Geovana pensa em como levar sua história de vida ainda mais longe. "Tenho o sonho de entrar em uma livraria de Salvador e ver meu livro na prateleira", finaliza. VÍDEOS: As notícias mais vistas do G1
  • Jovem vira motorista por influência do pai e é a pessoa mais nova a conduzir o VLT no litoral de SP



    Jayris Rodrigues de Sousa, de 26 anos, começou na profissão há quatro. Na família, o irmão e o pai a incentivaram a seguir a carreira. Jayris decidiu seguir a carreira de motorista por influência do pai, que atua na profissão há 17 anos Arquivo Pessoal/Jayris Sousa Há quatro anos, Jayris Rodrigues de Sousa, de 26, vive a rotina de uma profissão que decidiu seguir por influência do pai e do irmão: ser motorista. Moradora de Praia Grande, no litoral paulista, a jovem é a pessoa mais nova a conduzir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Baixada Santista. Neste domingo (25), data em que é comemorado o Dia do Motorista, Jayris revelou ao G1 o orgulho que tem da profissão. Desde pequena, Jayris acompanha o trabalho do pai, Marcelino João de Sousa, que é motorista de ônibus há 17 anos. Ela viu Marcelino incentivar o irmão mais velho dela a seguir a profissão, e quando cresceu, os dois a apoiaram a seguir o mesmo caminho. “Eu sempre vi o esforço do meu pai, o meu irmão também, sempre foi muito dedicado, e eles sempre me incentivaram, falando que era bom, para eu tentar”, conta. Quando completou 19 anos, a jovem passou a considerar a ideia de experimentar um pouco mais da admiração pelo trabalho do pai e do irmão, seguindo a profissão. “Eles me incentivaram, e eu tirei a CNH na categoria D, para dirigir ônibus. Depois, eles levaram o meu currículo na empresa, e eu fui chamada para iniciar o treinamento”, explica. Jayris começou efetivamente na profissão aos 22 anos, como manobrista. Após um período conduzindo ônibus dentro da garagem da empresa, ela assumiu a condução de um micro-ônibus que rodava dentro da cidade de Praia Grande. Há dois anos, a profissional se tornou a mulher mais nova a conduzir o VLT. No dia a dia, Jayris faz quatro viagens e meia, seguindo da Estação Barreiros, em São Vicente, até a Estação Porto, em Santos. A condutora assume o veículo todos os dias às 6h, e percorre 15 estações, que somam 11,5 km de extensão de via. “Sabe aquela coisa de a gente imaginar uma coisa boa, mas Deus preparar algo bem melhor? O ônibus sempre foi a minha vontade, mas quando apareceu essa oportunidade [do VLT], foi bem melhor, e eu agradeço muito a Deus pelo meu trabalho”, destaca Jayris. Há dois anos, Jayris conduz o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Baixada Santista Arquivo Pessoal/Jayris Sousa No início da carreira, o maior desafio de Jayris foi ir para a rua conduzindo um ônibus, e posteriormente, assumir o comando do VLT. “Os desafios eram ter cuidado para não ter acidente e prestar atenção no que está em volta, para não acontecer nada”, relata. De acordo com a jovem, as pessoas costumam se surpreender, e elogiam a profissão dela. Conforme explica, até ela fica surpresa com o cargo que assumiu. “Nem eu acreditava que teria essa oportunidade, é um orgulho ter aprendido e saber que a gente é capaz”, comenta. “Eu sempre tive vontade de fazer alguma faculdade, mas eu não me identificava com nada, por isso, não segui nenhuma área, e de tanto eles [o irmão e o pai] me incentivarem sobre a profissão deles, eu tentei”, conta. Atualmente, Jayris diz que ainda não pensa sobre o futuro na profissão. Para ela, o cargo que assume no momento está suficiente. Para as mulheres que desejam seguir a carreira de motorista de ônibus, a jovem deixa uma mensagem: “Todo mundo pode, todo mundo tem espaço, e claro, com muito esforço, dedicação e amor pelo que faz”, conclui. Aos 22 anos, jovem iniciou na profissão de motorista atuando como manobrista de ônibus Arquivo Pessoal/Jayris Sousa VÍDEOS: As notícias mais vistas do G1
  • Cão que ficou um mês na porta de casa após dona se mudar do litoral de SP viaja cinco dias para reencontrar tutora no CE



    Mailon percorreu mais de 3 mil km de Praia Grande até a cidade de Ibiapina, no interior do Ceará. Reencontro foi promovido por duas amigas, que arrecadaram dinheiro para transportar o animal. Cão que ficou um mês na porta de casa após dona se mudar reencontrar tutora O cachorro que passou mais de um mês aguardando a tutora em frente à casa onde ela morava viajou por cinco dias para reencontrar a dona, na cidade de Ibiapina, no interior do Ceará. O animal estava sob os cuidados de duas amigas, em Praia Grande, no litoral paulista. Mailon percorreu mais de 3 mil quilômetros de estrada em um táxi dog interestadual. Em entrevista ao G1 neste domingo (25), a operadora de telemarketing Helen Baum contou que a tutora de Mailon foi localizada logo após ele ser resgatado, no bairro Esmeralda. Helen e a amiga, Miriam Reis, acolheram o animal após descobrirem que ele estava morando em frente à antiga casa da dona, com o risco de ser agredido pela vizinhança. “Logo após o resgate, ela enviou vídeos, mandou fotos com ele no colo, para provar que realmente era tutora dele. Ela estava bem abalada e contou que, durante a pandemia, estava passando por dificuldades financeiras e teve que voltar para a cidade dela no Ceará. Como não tinha dinheiro para levar o cachorro, deixou ele com familiares e foi para o interior do estado com o marido”, explica Helen. A partir do contato com a tutora, Helen e Miriam iniciaram uma campanha que tinha como objetivo arrecadar dinheiro para levar Mailon até a cidade da dona. A passagem aérea para levar o animal até o Ceará ficaria R$ 2.600. A dupla fez rifas, pediu ajuda a familiares, recorreu às redes sociais e contou com a colaboração de Maria da Paz, que também fez rifas em Ibiapina. Após dois meses de arrecadação, as amigas alcançaram o valor de R$ 1.600, no entanto, a quantia não era suficiente para custear a passagem aérea. Com o intuito de agilizar o reencontro, a dupla conheceu o serviço de táxi dog interestadual e resolveu entrar em contato com uma empresa. A viagem, que foi realizada com uma van, custou R$ 2 mil. Maria da Paz reencontrou Mailon após seis meses sem ver o animal Arquivo Pessoal/Maria da Paz “Ainda faltavam R$ 400, mas nós planejamos parcelar no cartão e continuar pedindo ajuda para pagar o restante”, relata Helen. Mailon saiu de Praia Grande no dia 17 de julho em uma van climatizada, com mais três animais. Ele chegou à cidade de Fortaleza no dia 22, após cinco dias de viagem. Segundo a operadora, o condutor realizava três paradas por dia, e os animais passaram uma noite na sede da empresa, em Belo Horizonte. “Durante essas paradas diárias, eles [os instrutores] nos mandavam vídeos do Mailon e falavam que ele estava comendo, bebendo água, fazendo as necessidades”, conta. Para ser levado pelo táxi dog, o cão precisou de um laudo veterinário para atestar o estado de saúde, além da caderneta de vacinação em dia. O transporte do animal com o táxi dog terminou em Fortaleza. A tutora utilizou o dinheiro arrecadado em rifas para custear a ida dele até a cidade de Ibiapina, no interior do estado. “Nós acompanhamos ele todos os dias. No dia [da chegada], às 7h, eu, Miriam e a Maria da Paz estávamos de prontidão esperando por noticias do Mailon”, destaca a operadora. “Foi muito emocionante, eu chorei muito, até hoje falo no assunto e me emociono, porque a gente acaba se apegando. Satisfazer o desejo do Mailon de encontrar a dona dele não tem preço, nós não paramos até alcançar esse objetivo, é um sentimento que não dá para descrever, foi indescritível”, diz Helen. Helen resgatou Mailon junto com uma amiga, após descobrir que ele estava morando na rua Arquivo Pessoal/Helen Baum Contratempos Durante a estadia no lar temporário, Mailon passou por um episódio de depressão que preocupou as amigas. “Como ele é 'fujão', tinha que ficar dentro de casa, mas ele começou a entrar em depressão, porque ele é um cachorro que requer espaço”, conta Helen. Para conservar a saúde do animal, Miriam o levou para a casa dela e passou a ficar mais próxima do cachorro. “Nós tínhamos que tomar todo o cuidado com ele, porque a nossa intenção era devolver ele para a tutora, então, eu levei ele para a minha casa, e eu tenho três cachorros. Aí, começou uma trajetória bem complicada”, explica. Mailon passou a ter desavenças com um dos cachorros de Miriam, contudo, ela relata ter tido uma experiência muito boa com o animal. “Apesar dos contratempos com o meu cachorro, eu estava feliz, porque a Maria da Paz queria muito o filho de quatro patas de volta. Ela estava ansiosa, ela me ligava ansiosa, falava com ele por chamada de vídeo”, conta a cuidadora. “Teve um dia que foi muito engraçado. Ela fez uma chamada de vídeo, e ele estava se preparando para ir embora. A gente estava só esperando o rapaz do táxi dog chegar, e ela conversando com ele. Foi muito lindo, porque ele deitou no chão, e eu coloquei o celular na frente do olho dele, e ele passava a patinha como se estivesse acariciando ela. Aquilo me chamou muito a atenção, é uma cena que eu não vou esquecer”, ressalta Miriam. Miriam levou Mailon para morar na casa dela em Praia Grande, no litoral de SP Arquivo Pessoal/Miriam Reis Reencontro Ao G1, Maria da Paz, tutora do animal, esclareceu que não deixou Mailon em Praia Grande por opção. Segundo ela, o cão faz parte da família desde quando nasceu, há cinco anos. No início deste ano, ela estava passando por dificuldades financeiras e precisou voltar para o Ceará. Maria ficou sabendo sobre a situação do cão pelo irmão, após ele comentar o que as pessoas estavam dizendo nas redes sociais. “Me esculacharam, eu chorei das quatro da tarde até uma hora da manhã quando soube. Fiquei procurando pelas pessoas que estavam cuidando dele, para contar a minha versão, porque eu não abandonei ele. Fiz um vídeo pedindo ajuda para trazer ele, porque eu não tinha dinheiro nem para comprar uma passagem, quem dirá para trazer ele”, desabafa. De acordo com Maria, o animal não se adaptou à casa dos familiares e fugia constantemente. Quando conseguiu entrar em contato com Helen e Miriam, passou a conversar com Mailon diariamente. “Eu ligava para ele todo dia. Era só se não desse mesmo, eu queria saber notícias, perturbava as meninas, elas me mostravam ele, tiravam foto dele”, comenta. O reencontro aconteceu após seis meses da mudança da tutora. A data, segundo Maria, foi o dia mais alegre que já teve. "Eu fiquei muito feliz, mas fiquei uns três meses aqui agoniada, também. Em nenhum momento fechei a porta e deixei ele para trás. Deus é muito bom para mim, porque na hora, eu pensava que ia desmaiar de tão ansiosa. Eu estava ansiosa para ver ele, dormi em Fortaleza para não perder a hora de ver ele chegar, e só vim embora quando peguei ele. Nunca pensei em um encontro desse", finaliza Maria. VÍDEOS: As notícias mais vistas do G1